Vela

10 grandes dicas para você vencer uma regata

por Administrador
Postado em 29 de Agosto de 2017

Conselhos e práticas simples que podem fazer toda a diferença em uma competição

Meu pai costuma dizer que os melhores velejadores eram aqueles que tinham o maior número de truques guardados na cartola – e que ganhavam regatas por saber mais do que seus concorrentes. Então, se quisesse ser um vencedor, ele dizia, eu teria que aprender mais. Sempre segui seu conselho e nunca parei de adicionar novos truques ao meu baú.

1 - Ajuste a birutinha superior na testa da buja
A maioria das bujas está bem regulada quando a birutinha superior na testa da buja se agita de vez em quando. Estique a escota apenas alguns cliques na catraca e ela se agitará 50% do tempo. Solte a escota e ficará 100% do tempo esticada. A performance ideal ocorre quando estiver esticada 95% do tempo. Com essa regulagem, a vela estará o mais tesa possível, sem causar a interrupção do fluxo laminar no espaçamento com a grande, maximizando a velocidade. Se a sua performance no contravento deixa a desejar, trimar corretamente a buja é uma das primeiras coisas a fazer.

2 - Conheça a condição de peso ideal do seu veleiro
Na maioria dos dingues e veleiros planantes, quanto mais leve, melhor. Enquanto barcos mais pesados, com quilhas, não se importam tanto com isso, especialmente em condições de bastante vento. Pesquise com outros velejadores qual a melhor condição para barcos iguais ao seu e veja como ele reage à distribuição de peso. As melhores equipes dos barcos planantes levam somente o essencial à bordo. No máximo uma garrafinha de água e barrinhas de cereais. Evitam trazer a bordo coolers, ferramentas e até peças de reposição ou reservas. Estando leves, o planeio com vento à favor é facilitado e, especialmente em condições limítrofes, os ganhos são enormes. Nos barcos mais pesados, principalmente em condições de ventos fortes, as equipes de ponta levam bastante água à bordo. Esse peso extra afunda o barco na água, alongando a linha d’água, com consequente aumento de velocidade. Nesse tipo de barco, inércia é a chave da performance.

3 - Defina as funções a bordo
Quando há alguém que não sabe o que fazer a bordo, sempre ocorrem problemas nas manobras. Por exemplo, quem controla a retranca no jibe? Ou cassa o amantilho do pau de spinnaker na hora de subir o balão? E quem providencia os lanches e as bebidas antes da regata? De quem é a responsabilidade de ler e atualizar os avisos e instruções de regata? Não deixe nada ao acaso: evite “torcer”para que “alguém assuma a responsabilidade”. Definir as funções de cada tripulante é uma das mais importantes tarefas em uma equipe de competições. Garante que o time esteja preparado para todas as manobras e dá a cada tripulante um propósito.

4 - Otimize os rumos de saídaem manobras
Um aspecto frequentemente negligenciado pelo timoneiro é o rumo ideal depois de um bordo ou jibe. O ângulo com o vento com o qual se sai dessas manobras é fundamental para a velocidade do veleiro. Ele afeta o quanto seu barco aderna e como acelera. Em um bordo, saia um pouco abaixo do melhor ângulo de orça, com pano levemente folgado para melhor aceleração. Depois vá se aproximando do rumo e faça o ajuste ideal nas velas. A favor do vento, orce um pouco mais do que faria depois do jibe para acelerar, antes de ajustar rumo e velas para o ângulo de melhor performance.

5 - Esteja na linha de largada uma hora antes
Tenho certeza de que já ouviu esse conselho milhares de vezes. E é por uma boa razão! Chegar cedo na raia permite que analise com cuidado as condições de mar e vento e de fazer o ajuste no veleiro para elas — o que é bem mais importante do que ficar na fila da padoca para comprar aquele ultimo café. Use essa hora para conhecer a linha de largada e fazer algumas largadas simuladas, pois assim aumentará a chance de partir com vantagem. As chances de se dar bem depois desse treino matinal aumentam bastante.

6 - Folgue as escotas do balão constantemente
Um bom trimador de balão está sempre folgando as escotas até perceber que a testa fica levemente curvada. Então caça a escota até a vela alisar, para então recomeçar o processo. Dessa forma, fica garantindo que a vela alcance a sua melhor performance. Um balão supertrimado, como todos sabemos, fica longe de sua capacidade máxima. Os trimadores mais experientes podem até sentir como está rondando o vento por meio do ajuste contínuo da escota, e o efeito na proa do veleiro. Se tiver que folgar mais a escota antes de ver a curva na testa do balão (desde que o timoneiro tenha mantido o rumo), o vento rondou para a popa. Se perceber a curvatura no balão sem ter soltado a escota é porque o vento rondou para proa. Informar essas rondadas para o tático ajuda bastante, pois no mundo ideal ele prefere manter o rumo quando o vento ronda para popa e arribar quando ronda para proa. Na hora do jibe, presto atenção no que diz o trimador do balão. Se disser que o vento rondou para popa, inicio a manobra com confiança. Se tiver rondado para proa, prefiro aguardar mais um pouco.

7 - Pense nos outros competidores como seu sistema de birutas remoto
Os táticos de maior sucesso usam todas as dicas ao seu alcance para descobrir por onde anda o vento, incluindo aí os outros competidores: observe o quanto adernam, quantos tripulantes estão sentados na borda e os ângulos em que estão velejando. Observar os outros veleiros dá uma boa ideia de qual é o vento em outras áreas da raia. Se, por acaso, houver flotilhas diferentes na mesma raia, melhor ainda, pois mais informações poderá colher sobre que tipo de condições meteorológicas estão para chegar no seu veleiro.

8 - Recolha cedo
É mais fácil velejar a favor do vento com uma buja do que contra com o balão. Encarar um contravento com o balão panejando como louco e a sua equipe brigando para trazê-lo para dentro não é nem divertido, nem rápido. E é um dos erros mais comuns em raias por todo o mundo, além de ser um dos mais fáceis de evitar. Antes de cambar, certifique-se de que a adriça esteja desenrolada e livre de nós que possam dificultar a sua passagem pelo stopper. Além disso, acostume-se a baixar o balão alguns segundos antes do que imagina que seria o correto. Baixar essa vela cedo facilita a sua guarda e permite a você se focar em uma manobra suave e precisa, com tempo de sobra para ajustar o rumo, e as velas. A montagem correta da boia de sotavento aumenta as suas alternativas para velejar a próxima perna.

9 - Leia atentamente os avisos de regata
Já vi muitas equipes serem penalizadas e perderem pontos críticos simplesmente por não lerem ou não ficarem sabendo de mudanças nos avisos e instruções de regata. Errar a linha de chegada porque não é a mesma que a linha de largada, não saber as cores das marcações de mudanças ou ignorar que as penalidades mudaram de duas voltas para uma são erros bastante comuns. Quando estamos a caminho da largada, leio em voz alta para toda a tripulação as notas que fiz ao ler com atenção aos avisos e instruções de regata.

10 - Ajuste a potência
Com pouco vento, ficamos à procura de potência, nos médios (8 a 11 nós) ficamos satisfeitos com a potência que temos à mão. Quando os ventos passam de 12 nós, passamos a ter de dissipar potência através de velas mais chapadas, esticar os brandais e começar a usar ferramentas como o outhaul, cunningham e o estai de popa. Quando o vento diminui, buscamos maior potência deixando as velas mais curvadas, os brandais mais soltos e folgando todos os cabos de controle. Fique atento às mudanças meteorológicas e faça sempre o melhor ajuste. O objetivo é velejar adernando no grau correto e fazendo com que as birutinhas nas velas ajudem a extrair-lhes a melhor performance possível. Se as velas estiverem com muita curvatura quando chegar uma brisa, o timoneiro terá que orçar mais para manter o mesmo grau de inclinação do veleiro, ou então velejar mais adernado para manter as velas otimizadas para o fluxo de ar. É muito melhor utilizar técnicas para retirar potência das velas e deixar a embarcação no ângulo correto. Quando a brisa diminuir, volte as velas para posição de maior potência, mantendo sempre a inclinação do barco correta. É imperativo sentir a potência das velas a todo momento e fazer os ajustes correspondentes para conseguir aquela velejada perfeita.

*Texto: Steve Hunt
**Fotos: Marcos Méndez/SailStation

 

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