Lanchas

As vantagens de um sistema de toalete com composteira

por Rich Johnson
Postado em 18 de Abril de 2018

Instalar um sistema de toalete com composteira no barco acaba com todas as suas dores de cabeça

Quando compramos o nosso barco atual, ele fedia muito. Felizmente, sabíamos o que fazer para combater os odores provenientes do tanque de contenção. Em nosso barco anterior, instalamos uma privada composteira, que funcionou perfeitamente pelos últimos dez anos, sem o mínimo sinal de mau cheiro. Adivinhem o que fizemos no barco (para nós) novo? Isso mesmo!

Remover os componentes de um tanque de retenção tradicional é um trabalho e tanto, mas acreditamos que vale a pena. Além de eliminar o cheiro, não se leva os dejetos para passear, e o espaço ocupado anteriormente pelo sistema pode ser muito melhor aproveitado. E não temos mais que nos preocupar em encontrar estações de bombeamento de esgoto, pois tudo isso é resolvido mais que satisfatoriamente por meio de uma privada composteira.

A escolha da privada composteira
Antes de começar um projeto dessa envergadura, certifique-se que a privada composteira cabe no seu barco. Considere o desenho da base e a distância mínima para as anteparas do modelo em questão. No mercado náutico, há dois modelos populares de privada composteira. Um é o da Nature’s Head (natureshead.net), e o outro é o Air Head (airheadtoilet.com).

Os dois modelos são idênticos, quando comparamos seu princípio de funcionamento. Os sólidos e líquidos são separados no momento do depósito (ou seja, quando se vai ao toalete). E é essa separação que é a base da “mágica”. Estando separados dos líquidos, os sólidos se decompõem relativamente rápido e se transformam em terra. Para acelerar o processo, eles são misturados com uma mantas de turfa ou de fibra de coco. Os líquidos são coletados em um recipiente separado, para facilitar o descarte. Um pequeno ventilador força ar através do recipiente de compostagem para facilitar a atividade microbial que transforma o conteúdo em terra. O respiro é levado para fora do barco, de forma que não sobram odores. Não há canos, válvulas, bombas, nada que possa quebrar, entupir ou vazar. Como nada é descarregado na água, as unidades são certificadas pela Guarda Costeira dos Estados Unidos como Tipo III, “sem descarga”, aprovados para navegação em qualquer lugar. 

Em nosso caso, o recipiente de líquidos é esvaziado a cada três ou quatro dias, quando estamos em cruzeiro. O intervalo pode ser estendido se adquirirmos recipientes adicionais, com as respectivas tampas; quando um ficar cheio, pode ser substituído por um vazio. Quando chegar a um local conveniente, simplesmente esvazie o recipiente (que tem capacidade para cerca de um mês). Quanto mais tempo os resíduos sólidos permanecerem na compostagem, melhor. Quando não usamos muito o barco, pode acontecer de levar um ano para precisarmos esvaziá-lo. Os resíduos virarão terra, que pode ser depositada em canteiros de flores.

As diferenças entre os dois modelos têm mais a ver com o desenho dos elementos que requerem manutenção, e cada um deve decidir o que é mais importante para o seu uso. Nos demos muito bem com o equipamento da Nature’s Head, de forma que escolhemos o mesmo modelo para nossa mais recente aquisição. 

1 - Preparo
Comece na estação de bombeamento de esgoto mais próxima. Retire o conteúdo do tanque de contenção. Depois encha o tanque até a metade com água e bombeie novamente. Dentro do banheiro, encha a privada de água e acione a bomba da descarga. Repita a operação o maior número de vezes possível, para limpar bem as mangueiras que vão da privada até o tanque de contenção. Quanto mais lavar nessa fase, melhor para você quando começar a desmontar os demais componentes do sistema. 

2 - Desmontagem
Para a realização dessa etapa, recomendamos o uso de luvas de borracha extra-resistentes, óculos de proteção e máscara ou escudo facial, por motivos óbvios. Assim que for soltando as abraçadeiras das mangueiras, sele as pontas com fita adesiva para dutos do tipo “silver tape” e limpe cuidadosamente os locais em que estavam instaladas. Como na produção dos barcos as mangueiras geralmente são instaladas antes do fechamento dos locais por onde passam, é quase impossível excluir totalmente os vazamentos ao eliminá-las. Ao menos, sem desmontar o barco inteiro. 

Depois de retirados todos os componentes do sistema antigo, usamos uma solução de água com cloro para desinfetar as redondezas, esfregando bem, múltiplas vezes. Após, deixamos as áreas ventilando até que tudo fique bem seco. Providencie para que todas as saídas e entradas de água sejam removidas e tampadas. Ou, se preferir deixá-las no lugar, certifique-se que todos os registros estejam travados e que não haja a possibilidade de intrusão de água. Depois de fecharmos os registros instalamos um pedaço de mangueira, no qual introduzimos e fixamos, através de abraçadeiras, um pedaço de madeira cônico (também chamado de bujão).

Instalação
Depois das duas primeiras fases, a instalação é a mais simples delas. Localize a posição em que a nova privada composteira será instalada. Ela será presa ao chão por meio de suportes em “L”.  Marque a posição onde serão fixados os suportes no piso, faça os furos correspondentes e os parafuse na posição correta. Assim, poderá fixá-los nas protuberâncias correspondentes do vaso. E não, você não está sonhando: a privada inteira pode ser removida ou instalada no barco em menos de um minuto. Nos dois lados do recipiente de compostagem há aberturas para a instalação da mangueira de ventilação, de forma que se pode escolher o lado em que a mesma será instalada. Veja por onde quer passar a mangueira de ventilação. Pode ser diretamente para uma saída de ar, acima, no convés, para algum paiol (o da âncora, por exemplo) ou até na popa. O ventilador acoplado deve ser ligado a uma fonte de 12 V CC como a bateria de serviço, mas também é possível acoplá-la a um ventilador solar (não incluído) para prover a aeração forçada. Ou uma combinação dos dois. 

Optamos por ligar o ventilador standard na bateria de serviço, uma vez que temos um carregador solar mantendo a sua carga. Conectamos a mangueira de 38 mm a uma saída de ar na popa (poderíamos ter usado o respiro do tanque de contenção atual, como opção). O ventiladorzinho usa tão pouca corrente que não corremos o risco de ficar sem energia, ainda mais com a recarga pelos painéis solares.

Operação
A privada composteira é muito simples de usar. Não há registros, bombas nem instruções complicadas para visitantes. A mais importante regra, no entanto, é: toda visita à casinha deverá ocorrer no modo sentado. Isso é necessário para que o líquido seja afunilado para os dois orifícios na parte frontal do equipamento, e que se conectam com o recipiente coletor de líquidos. Se nessa sentada estiver resolvendo também seu problema “número 2”, simplesmente acione a alavanca que abre a passagem para o recipiente de compostagem. Ao final, não esqueça de voltar a alavanca, e gire a manivela da compostagem de três a quatro vezes para misturar os depósitos recém-adicionados com o material em processo. 

Utilizamos um borrifador com água para enxaguar a bacia. Assim, fica sempre limpa e também fornece um pouco de umidade para o material na composteira.

E quanto ao papel higiênico? Ele pode ser jogado na composteira, se quiser. O melhor é usar o tipo desenvolvido para toaletes náuticos, que se decompõe de uma forma mais rápida. Evidentemente que, quanto mais papel se usa, mais rapidamente o recipiente de compostagem fica cheio e tem de ser esvaziado. 

Manutenção
Esvaziar o recipiente da compostagem é muito simples e rápido. Quanto mais tempo o material ficar em processo, melhor (alguns meses, se possível), e a manivela deverá ser girada de vez em quando. Na hora de esvaziar o recipiente, remova a tampa (a que tem o assento), remova o recipiente para os líquidos, encaixe um saco de lixo plástico em cima do recipiente de compostagem, solte os suportes no piso e vire de ponta cabeça. O material orgânico cairá todo dentro do saco.  Não é necessário remover todo o material, nem fazer uma limpeza. Os restos que ficarem dentro do recipiente servirão para dar início ao próximo ciclo de compostagem. Retorne o recipiente de compostagem ao seu lugar, fixe-o nos suportes, retorne o recipiente de líquidos e feche a tampa. Pronto.

O conteúdo do saco de lixo pode ser jogado numa lixeira ou espalhado aos pés de plantas não comestíveis. 

Limpando o ar
Muitos proprietários de embarcações que fizeram a conversão afirmam com convicção que, em hipótese alguma, retornariam às privadas convencionais, que utilizam tanques de contenção. Só podemos corroborar. É uma das melhores modificações que fizemos em nossos barcos. 

Newsletter

Cadastre-se para receber nossas novidades!

comentários