Lanchas

Fizemos um charter em Portugal e contamos aqui como foi a experiência

por Rafael Kassapian
Postado em 01 de Fevereiro de 2018

Um roteiro que uniu navegação, história, vinhos e ótima comida

(Foto: divulgação/FeelDouro)Navegar Portugal, desde o Atlântico até a Espanha, em uma viagem de cinco dias e 210 km por um dos rios mais cênicos da Terra, perfeito para a prática de esportes aquáticos, percorrendo regiões consideradas Patrimônio da Humanidade, provando uma gastronomia rica e variada, em meio ao local de produção de alguns dos melhores vinhos que existem neste planeta. 

Ficou interessado pelo roteiro descrito acima? Foi exatamente isso que tive a oportunidade de vivenciar durante um charter de cinco dias pelo Rio Douro. O segundo maior rio da Península Ibérica nasce na Espanha, mas é em Portugal que ele ganha fama e beleza, até desaguar no Oceano Atlântico, já na cidade de Porto. 

A história de Portugal está intrinsecamente ligada à navegação, foi por meio dela que dominou o mundo no século XV e chegou ao Brasil. Hoje, o turismo dita um fluxo inverso, com milhares de brasileiros visitando a Terrinha todos os anos. Já somos o terceiro maior emissor de turistas para o país; em 2013, 250 mil brasileiros estiveram lá, mas ainda são poucos os que o desbravam pela água. Por isso, quando recebemos o convite da FeelDouro para testar sua operação, embarcamos, a fim de mosrar o que você vai encontrar. Portugal ainda oferece um dos melhores custos benefícios da Europa, é possível comer bem, em restaurantes de primeira, com até 20 euros. 

Porto
Tudo começa na cidade do Porto, a segunda maior de Portugal e conectada por voos diretos a partir de São Paulo. Mas o que é que o Porto tem? O vinho provavelmente você já conhece, mas saiba que a cidade foi eleita por sites especializados o melhor destino turístico europeu em 2012 e 2014; nas páginas dos cadernos turísticos dos grandes jornais mundiais tem um espaço cada vez maior. 

Toda essa fama se entende quando se percorrem suas ruas, repletas de construções antigas bem preservadas, muitas igrejas e história por todos os lados. A sensação é de se estar em um lugar vibrante, onde a história está acontecendo, cheio de novas e variadas opções gastronômicas, ao mesmo tempo em que a tradição é preservada. 

Tudo na cidade está em perfeita sinergia com o rio que a margeia, o qual, para se ter acesso a outro lado, precisa-se apenas cruzar pela Ponte Dom Luís, construída por um discípulo de Eiffel, sim, o mesmo da torre francesa. Ali está Vila Nova de Gaia, com os armazés centenários das grandes companhias produtoras de Vinho do Porto. 

Reserve ao menos dois dias para explorar o Porto e percorrer cartões-postais como a Torre dos Clérigos, a Livraria Lello, os azulejos da Igreja do Carmo, o Palácio da Bolsa, a Igreja de São Francisco e seus quilos de ouro, entre outros. O bairro da Ribeiro e seu casario antigo e colorido, com roupas no varal, são uma atração que não pode faltar em um roteiro clássico. Tudo é relativamente perto, podendo ser percorrido a pé. 

O Douro
Depois de ser apresentado aos encantos da cidade, é hora de zarpar e desbravar o rio. O Douro Vinhateiro é uma maravilha da natureza moldada pela ação dos homens que há milhares de anos começaram a produzir por lá a mais clássica das bebidas: o vino. Nas enconstas íngremes permeadas por rochas de xisto, as mãos humanas esculpiram os socalcos, os terraços que aproveitam a geografia local para cultivar ali as vinhas. 

Esta é a mais antiga região vinícola demarcada e regulada do mundo, pois foi criada em 1756 pelo Marquês de Pombal, para garantir a origem e a qualidade da bebida produzida por ali. Desde 2001 é declarada também Patrimônio da Humanidade pela Unesco, que lhe concedeu a distinção por ser uma paisagem viva, evolutiva e cultural. 

O Douro Vinhateiro começa na altura da cidade de Régua e vai até a Eclusa do Pocinho; a partir do Pinhão as paisagens são de tirar o fôlego, montanhas esculpidas de vinhas dos dois lados e o rio verde, refletindo o sol, à sua frente. É realmente mágico. 

Navegando
É possível explorar a região de carro, por estradinhas sinuosas que vão percorrendo sua margem, perdendo-se em meio a incontáveis aldeias; de trem também pode-se fazer, uma vez que a linha férrea margeia quase sempre o rio. Mas é navegando que você pode ter uma experiência mais ínttima e não só admirar, mas sentir o Douro. 

No passado, o rio costumava ser muito bravo, vencer suas corredeiras era um feito realizado apenas por pessoas destemidas. Levava-se dias para chegar até a Foz, a bordo dos barcos-rabelo, que faziam o transporte do vinho. Felizmente, hoje em dia, já não é mais assim. Ao longo do rio existem cinco eclusas que domaram essa fera e o transformaram em um espelho navegável. 

A navegação no Douro é muito tranquila, no geral as margens são largas e há pouco fluxo; ela é proibida só durante a noite, por isso o pôr do sol é o sinal para encerrar as atividades. Mesmo pessoas com experiência reduzida, depois de passarem pelo briefing da companhia de charter, conseguem conduzir a embarcação sem maiores percalços. Lembre-se que para isso é necessário ter o arrais amador, ou outra habilitação equivalente à do local. 

Nossa embarcação era um Greenline 40 pés, com dois motores Volkswagen de centro com 75 hp cada. O casco, deslocante, garante uma navegação macia e econoômica; o consumo médio ficou em torno de 5 litros de gasolina por hora. 

Um grande diferencial que ainda não encontramos no Brasil é a estrutura. Há diversos pontos de ancoragem bem demarcados ao longo do rio, onde você encontra energia elétrica, água e combustível para reabastecer. Nós dormimos a bordo com segurança todos os dias. É importante realizar, ou pedir à companhia de charter, um pré-agendamento das eclusas e marinas. 

Diversão para todos
Se você gosta de SUP, pode praticar sem medo; nadar também é altamente recomendável, especialmente se você vier nos meses de verão, junho a setembro, época em que a temperatura passa fácil dos 30 graus. Os locais costumam dizer que o clima no Douro se resume a "nove meses de inverno e três de inferno". Exageros a parte, a temporada começa na segunda quinzena de março e vai até outubro. A partir de novembro, até o fim do inverno, em fevereiro, a probabilidade de chuva é maior. Toda a sorte de esportes aquáticos encontra espaço por lá, pude ver gente remando, pescando e fazendo wakeboard. 

Acompanhou-me nesse cruzeiro o skipper Luís Miguel, um grande conhecedor da navegação e tremendo boa-praça. 


FeelDouro
Com uma estrutura única, a altura das grandes companhias mundiais, a FeelDouro oferece serviços de charter, onde você aluga o barco e fica livre para fazer o que preferir; e de Cruising, que consiste num programa exclusivo feito à medida, mas com tripulação (skipper e assistente de bordo). 

O cliente pode escolher o barco, onde quer atracar e os lugares a visitar. Para quem preferir, a empresa pode fazer todas as sugestões e inclusive reservar restaurantes, passeios, marinas e qualquer outro trâmite. 

A frota tem seis barcos, cinco Greenlines, de 33 e 40 pés, e um catamarã Lagoon, com capacidade para 12, 14 e 16 passageiros, respectivamente; os programas possuem diferentes durações. 

A empresa oferece ainda serviços de transfer desde o aeroporto, city tour pelo Porto, para Guimarães, Fátima, e passeios de um dia pelo Douro. A equipe é bastante simpática e presta um serviço sob medida para agradar o cliente. 

Para saber mais, acesse feeldouro.com

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