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Entrevistamos o comandante Felipe Caire, da "Expedição ao Fim do Mundo"

por Administrador
Postado em 16 de Setembro de 2015



Documentário que mostra a travessia do Horn feita pela tripulação do veleiro Mistralis será reexibido no canal OFF no próximo domingo, 19, às 23h




Desde 2004, a Mistralis realiza travessias oceânicas pelo litoral brasileiro e cursos de vela no Rio de Janeiro. Foi em 2012, com o lançamento do Desafio Mistralis - Cabo Horn, que surgiu a primeira travessia extrema: um bate e volta do Rio de Janeiro até Buenos Aires.

Felipe Caire - o comandante do veleiro - sonhava com a “conquista” do mais temido cabo do nosso planeta, o Cabo Horn, desde 1997. Foram anos de dedicação, preparação e muita determinação para a realização desse sonho, que se concretizou no dia 7 de janeiro de 2013. A viagem se transformou num documentário de 52 minutos de duração e trouxe novas perspectivas ao comandante.

O filme será exibido às 23h do domingo, 19, no canal OFF. Para complementar a experiência, entrevistamos o comandante Caire, que falou sobre sua história com a vela, a Mistralis e muito mais. Confira.


Revista Mariner Brasil - Como surgiu a ideia da Mistralis de oferecer cursos e realizar travessias? Desde quando você participa?

Felipe Caire - Antes mesmo de nascer já velejava na barriga da minha mãe e sempre fui apaixonado pela vela oceânica. Minha maior luta, na época de escolher uma faculdade, era decidir o que fazer que fosse ligado ao mar. Por ser o primogênito, eu teria que seguir a tradição familiar e ser a sexta geração de médicos. A luta com minha família foi muito grande, até conseguir provar para eles que era possível sim, viver do mar e para o mar. Mas antes eu deveria fazer uma faculdade, dizia meu pai. Optei por Filosofia para poder compreender melhor o mundo e abrir meus horizontes. As travessias e cursos surgiram em 2001

RMB - Qualquer um pode participar dos cursos ou há alguma restrição, seja por idade, gênero ou outros fatores? E com relação as travessias, quais são os critérios para definir a equipe? Qualquer aluno pode participar?

FC - Quanto aos cursos de vela, não existem fatores que restrinjam a participação. Até mesmo para as travessias oceânicas as pessoas não precisam saber velejar, bastam ter um bom espírito de equipe, estarem abertas ao desconhecido, ao novo e quererem participar de verdade! Qualquer pessoa pode sentir a liberdade e a emoção de estar em mar aberto e ter pleno comando do veleiro, quando do seu turno.

RMB - Como é comandar um veleiro em situações extremas e com uma tripulação não tão experiente? Quais são os principais fatores para garantir o sucesso do Desafio?

FC - Experiência! São mais de 10 anos levando pessoas a bordo, enfrentando todos os tipos de situações que você possa imaginar. No próprio dia 31 de dezembro de 2012, às vésperas de contornar o Cabo Horn, por um descuido do tripulante, tive meu polegar direito esmagado pelo guincho, tive que ser resgatado de helicóptero, depois transferido de avião para uma cidade e ser operado somente 26 horas depois (segue anexo fotos). Experiência, muita paciência e jogo de cintura.

RMB - Durante a última Copa do Mundo, nós vimos a Seleção da Alemanha, que se sagrou campeã, participando de um treinamento em um veleiro. O que você acredita que este tipo de treinamento pode agregar para uma pessoa que não é habituada com a prática?

FC - A Mistralis desenvolve treinamentos empresarias desde 2001 e durante eles vemos que um grupo de pessoas, desunidas, desmotivas e sem liderança, podem sair completamente direcionadas para um objetivo, motivadas e unidas. Prontas para vencerem qualquer desafio. Aquelas pessoas que antes participavam de um grupo difuso, agora fazem parte de uma equipe altamente desenvolvida e voltada para objetivos específicos. Treinamentos em veleiros deveriam ser mais utilizados para objetivos pontuais, os resultados são incríveis!

RMB - Fale um pouco sobre suas experiências na vela. Quais os feitos já alcançados que você destaca e quais os próximos objetivos?

FC - Comecei velejando nos veleiros de Oceano dos meus pais, para só na adolescência participar de regatas, onde fui agraciado com vários títulos na classe Star e Oceano. Mas o clima competitivo nunca me agradou e voltei para as longas travessias. Fui o primeiro instrutor de vela brasileiro a conquistar o Cabo Horn com uma tripulação de alunos e para 2015 estamos com nosso projeto para irmos em direção ao Continente Gelado. Veleiro prontinho para isso, apenas nos falta patrocinadores e clientes corajosos dispostos a se aventurarem conosco. Já que é impossível para a Mistralis bancar essa viagem, sem a colaboração de nosso tripulantes.

RMB - Conte um pouco sobre a história do veleiro Mistralis.

FC - O veleiro Mistralis é um Bruce Roberts 44,8 pés que ao longo dos anos veio sofrendo inúmeras modificações para se tornar um bravo, guerreiro e veloz veleiro de aço carbono. Atualmente o Mistralis está com 52 pés, uma quilha nova e um mastro principal muito mais forte, resistente e maior do que o original. Ganhamos cerca de 35% de área vélica. Com isso velejamos bem com pouco vento e maravilhosamente bem com muito vento, onde o Mistralis ganha vida e se sente em casa. Atualmente possui capacidade para 10 pessoas pernoitarem, mais de um quilômetro de cabos de ancoragem (utilizados na Antártica e nos Canais Chilenos), diversos materiais de segurança e muitas outras coisas voltadas para a proteção dos tripulantes.








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