Lanchas

Testamos: Lagoon MY 630

por Administrador
Postado em 29 de Agosto de 2017

Luxo, estabilidade e economia são as palavras que definem este motoriate

Lagoon 630Uma rápida olhada para trás confirmou tudo aquilo que estávamos esperando: ventos fortes vindos do norte, de cerca de 25 nós e com rajadas acima de 30 nós, transformaram o mar em uma profusão de ondas curtas de 1,5 a 2,5 m, muitas delas com o topo encarneirado. Chegavam por trás do Lagoon MY 630 com seu ruído característico, se fazendo notar entre uma e outra rajada de vento. 

De minha posição elevada no cockpit de popa observei um vagalhão se aproximando e, ao passar por debaixo dos cascos, senti uma breve elevação, logo transformada em uma surfada a 14 nós, como pude confirmar dando uma olhada no velocímetro instalado na estação de comando na parte frontal do salão.

No entanto, a boca de mais de 10 m provê o barco com uma estabilidade à rolagem fenomenal, de forma que mal senti qualquer oscilação debaixo de meus docksiders.

A performance nessa situação me deixou realmente surpreso, mas, de verdade, não deveria ter ficado. O casco de motoriate 630 da Lagoon é baseado no do catamarã à vela Lagoon 620 , dos quais já foram entregues mais de 50 unidades e, portanto, a plataforma já foi mais do que consagrada. Para aqueles que não acreditam que um casco de veleiro possa se transformar em um barco a motor, é preciso acrescentar que mais de 20% dos cascos foram modificados nas pranchetas dos competentes arquitetos navais Marc Van Petegem e Vincent Lauriot-Prévost, em conjunto com o time da engenharia de produto da Lagoon, para acomodar os motores Volvo Penta D4 Diesel com V-drive, bem mais pesados do que os motores auxiliares do veleiro.

Com essas alterações, o casco navega sempre com a proa elevada alguns graus, o suficiente para navegar bem em todas as situações. Quilhas curtas à meia-nau protegem os eixos e hélices, caso decida chegar perto da praia ou explorar águas não cartografadas. A manobrabilidade em espaços exíguos é garantida pela grande distância que separa os motores, e um bow thruster elétrico no casco de boreste facilita ainda mais as manobras.

Durante o teste, planejamos sair de Marsh Harbour, nas Ilhas Ábacos, rumo a Miami, viagem estimada em três dias. Deixamos este destino maravilhoso no Caribe imaginando que alcançaríamos Freeport antes do anoitecer. A frente fria entrou antes do esperado e decidimos evitar navegar o manhoso canal de acesso a Freeport durante a noite, seguindo em águas mais profundas até uma baía abrigada em Sales Cay, onde fundeamos para o pernoite. Naquela noite foram servidos “bugs” no jantar, como são conhecidas as caudas de lagosta das Bahamas, grelhadas à perfeição.

Incluindo o capitão Lucas Lafourcade e Victor Buson, o engenheiro que levou o casco #1 do Lagoon 630 da França para os Estados Unidos, éramos cinco a bordo. Yann Masselot, diretor global da empresa, e Lana Lohe, do escritório da empresa em Annapolis, completavam a tripulação. A noite foi muito tranquila e pudemos aproveitar o layout que prima pela privacidade a bordo. Essa embarcação específica estava configurada com a cozinha no casco de bombordo e com mais quatro cabines, todas equipadas com banheiro privativo.

Os anfitriões gentilmente me ofereceram a cabine máster, que fica na parte posterior do casco de boreste. Longa e espaçosa, essa cabine tem um chuveiro com box de vidro, duas pias com espelho, um toalete fechado, cama de casal queen size e toneladas de espaço para roupas e objetos pessoais.

Pessoalmente, apreciei bastante o fato de que há uma segunda saída dessa cabine diretamente para o cockpit de popa. A cozinha, que fica na mesma posição a bombordo, é outro ambiente que também oferece essa possibilidade.

As demais cabines são equipadas com camas de casal de tamanho similar, instaladas transversalmente em relação ao eixo da embarcação, a excessão sendo a cabine da tripulação, que tem duas camas em configuração de beliches sobrepostos.

Há cinco possibilidades de customização de layout: duas com quatro cabines, uma com cinco cabines e duas com seis cabines. Duas delas com a cozinha no casco de bombordo, nas outras integrada ao salão. Em todas elas, o pé-direito no salão é de 2,05 m.

Como é possível ver nas fotos do salão, a cozinha integrada no casco faz com que esse ambiente de convivência seja claro, arejado e inclua amplos e generosos sofás. Responsável pelo projeto do interior, a Nauta Design conseguiu imprimir um estilo moderno e confortável, com acabamentos elegantes, dignos dos muitos iates e casas de luxo desenhadas anteriormente.

O MY 630 marca o retorno da marca ao mercado de barcos a motor após um breve hiato ocasionado pela explosão na demanda de catamarãs à vela. Desde o início, a Lagoon almejou desenvolver um barco com capacidades oceânicas, que possuísse equipamentos e acomodações que pudessem transmitir aos seus ocupantes elegância e segurança ao mesmo tempo.

Dois displays multifuncionais da Simrad equipam cada uma das três estações de comando — duas situadas a bombordo e boreste do flybridge e uma no centro do salão. A estação do salão conta com joystick, ao invés de uma roda de leme, enquanto as estações do fly são separadas por um sofá voltado para a frente. Logo à frente da estação de boreste há uma mesa de jantar e uma cozinha gourmet. Uma multitude de solários completa o fly, sugerindo uma área muito agradável para o encontro e convívio de familiares e amigos.

No centro do teto rígido do fly há, embutido, um teto solar de tecido impermeável, possibilitando ao comandante determinar com precisão a quantidade de sol a penetrar no ambiente. O acesso ao fly é por uma escada a bombordo, acessível pelo cockpit de popa, que pode ser fechado eletricamente em caso de mal tempo. A propósito, mesmo diante das condições desfavoráveis de parte da viagem, nunca foi necessário fechar essa passagem, até pela posição bastante elevada do fly.

O cockpit de popa é o lugar ideal para jantar e passar o tempo enquanto ancorados, e possui seu próprio bar, geladeira e icemaker. A Lagoon instalou deques de teca em toda a extensão do convés, das plataformas de popa ao convés frontal.

Uma plataforma hidráulica serve para armazenar um caíque customizado, possubilitando o uso como plataforma de banho submersa quando o inflável está lançado. Apelidamos a plataforma de “nossa pequena praia particular”.

De acordo com Masselot, além dos cascos otimizados, os motores foram de fundamental importância para o sucesso desse motoriate.

“Quando instalamos os Volvo-Penta D4 Diesel de 300 hp (opcionais), o MY 630 queima meros 6,2 l por hora, a 6 nós, o que resulta em uma autonomia teórica de 2.952 milhas náuticas, com os tanques padrão de 3.000 l. O casco #1 foi equipado com um tanque adicional de 1.900 l, dando ao barco capacidade transoceânica.

Luxo, estabilidade e economia são as palavras que definem o motoriate, que marca o retorno da Lagoon ao mercado de catamarãs a motor. Se houver alguma possibilidade de fazer um test-drive, garanto que vai ser uma experiência única.

O Grupo Sailing é o distribuidor oficial da Lagoon no Brasil. Tel.: (21) 3478-0040. End.: Marina da Glória, loja 18 A (Av. Infante Dom Henrique, S/N, Glória, Rio de Janeiro - RJ)/Marina Verolme, bloco 6, loja E (Rod. Gov. Mário Covas, BR101, km 469, Jacuecanga, Angra dos Reis - RJ) 

*Texto: John Wooldridge
**Fotos: Nicholas Claris

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