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Testamos: Monte Carlo 86

por Administrador
Postado em 14 de Setembro de 2017

Acabamento primoroso e detalhes inteligentes compõem a Monte Carlo 86, um iate de elegância impar

Monte Carlo 86Quando a equipe de design especializada em superiates de Dan Lenard e Carlo Nuovolari recebeu o caderno de encargos para a nova 86 da Monte Carlo, pensou que se tratasse de um engano, pois pareciam especificações para um megaiate de mais de 400 pés. Ops… penso que, quando se deram conta do engano, devem ter dado de ombros e dito um italianíssimo “va bene”. Tudo bem mesmo! Pois a Monte Carlo 86 acabou saindo um minimegaiate.

Ao entrar no salão principal, a sensação é a de estar a bordo de um barco muito maior, pois não há nenhum obstáculo visual desde o cockpit até a estação de comando. Acrescente a isso a boca de quase 6,5m e as enormes janelas laterais que começam no encosto dos sofás e terminam no teto, e o resultado é uma área de entretenimento difícil de encontrar em barcos de tamanho similar. Na embarcação testada, o ambiente compreendia uma sala de jantar para oito pessoas e um lounge em volta de uma TV de LED escamoteável. O interior, todo acabado em carvalho (escovado natural nos móveis e tingido de tabaconas réguas do piso) é de muito bom gosto e transmite bastante aconchego. Opcionalmente, é possível encomendar o MC 86 com até dois terraços laterais reversíveis no costado, bem ao lado da sala de jantar.

O 86 da Monte Carlo é o maior iate de uma linha que abrange barcos de 65, 70 e 76 pés. Todos compartilham do mesmo DNA, com proa reta, vigias redondas e curvas elegantes na linha do convés. São oferecidos cinco layouts para as acomodações internas, com três, quatro ou cinco cabines para os passageiros.

Uma das características dos megaiates é que eles oferecem muitas áreas para entretenimento, ao mesmo tempo que permitem aos convivas se retraírem em privacidade quando assim desejarem. O design da dupla Nuovolari-Lenard segue fielmente esse preceito no MC 86, de forma que há sempre um cantinho privado, mesmo que haja muitos convidados a bordo. Na popa, um imenso cockpit com sofá e cadeiras em teca acomodam facilmente oito pessoas para um almoço ou jantar ao ar livre, sem, no entanto, deixá-los desprotegidos de intempéries, pois a área é coberta pela parte posterior do flybridge. Como a cobertura é em balanço, não há colunas ou outro tipo de suporte para atrapalhar a vista. Além disso, há no cockpit de popa um lavabo a bombordo, um detalhe muito interessante.

Do cockpit para o salão não há diferença de nível, o que contribui para a integração entre essas áreas. Separados apenas por uma grelha de teca, que permite o escoamento das águas pluviais, e por portas de aço inoxidável que se abrem totalmente, o salão se torna uma extensão do cockpit ou vice-versa. Na entrada do salão, a boreste, uma escada dá acesso à suíte VIP, que é bastante larga e arejada e que possui em seu banheiro uma pia dupla, além de bom chuveiro separado. Do lado oposto fica uma suíte com duas camas, também com seu banheiro com chuveiro separado. O caminho à suíte master se dá por uma espécie de foyer ao final de uma escada a boreste, cujo acesso se dá logo atrás da estação de comando. Aproveitando toda a enorme boca do casco, essa cabine é um show à parte, com uma cama king size bem ao centro. Ladeando essa cama estão uma namoradeira, logo abaixo das vigias a bombordo, e um escritório a boreste. O que mais me impressionou nessa cabine? O enorme closet a boreste. O banheiro da suíte é aberto para o quarto e tanto chuveiro quanto privada ficam em compartimentos, aumentando a sensação de espaço, tudo decorado com muito bom gosto. O acesso à quarta e última suíte para convidados se dá pelo mesmo foyer, só que com os degraus descendo em direção à proa.

O flybridge é tradicionalmente uma área de entretenimento ao ar livre, e o da MC 86 não é exceção. O espaço aproveita muito bem cada centímetro da grande boca da embarcação, cobrindo os dois passadiços laterais. “Magnifico” (assim mesmo, em italiano) é uma palavra que descreve bem o resultado dessa cooperação franco-italiana. Também há no fly uma infinidade de opções a serem consideradas pelos clientes.

Na versão testada, um hardtop em fibra de carbono com teto solar de lona (elétrico) protegia a área da incidência solar, permitindo, porém, a visualização das estrelas quando aberto. Para maior proteção contra os raios solares, o hardtop tem sua borda curvada para baixo. Além disso, esse barco estava equipado com uma banheira de hidromassagem com TV LED escamotevável; assim, os proprietários podem assistir ao seu jogo de futebol favorito, enquanto aproveitam os bicos da hidro para relaxar quando a situação na tela fica tensa.

A parte posterior do fly não é coberta pelo hardtop, e acomoda tranquilamente algumas espreguiçadeiras para os adeptos do banho de sol. Ao meio, dois sofás permitem múltiplos layouts. O sofá de bombordo, mais largo e com as cabeceiras que convidam ao relaxamento, possuem pequenas mesas de teca para descanso dos drinques, enquanto o de boreste tem uma mesa escamoteável em que até oito convidados podem fazer sua refeição curtindo a paisagem vista de cima. Completando a seção de entretenimento do fly há um bar a boreste com pia, geladeira, ice maker e duas grelhas. A estação de comando do fly fica a bombordo e os instrumentos, bem como a suíte de eletrônicos sensíveis ao toque da Raymarine, são montados em um painel que se retrai quando não em uso, sendo totalmente à prova d’água.

Como dito anteriormente, megaiates aproveitam todos os espaços para entreter os convidados, e o MC 86 expande o conceito por meio da criação de um lounge de proa muito inteligente. Os passadiços laterais dão acesso ao que se convencionou chamar de “ponte portuguesa” — ou seja, um passadiço transversal e protegido à frente do parabrisas da estação de comando.

Para alcançar a estação de comando, basta subir dois degraus e se acomodar em suas confortáveis poltronas de couro. Equipada com três painéis de vidro da Boring, o posto de comando proporciona excelente visibilidade para frente e para os lados.

A cozinha, por sua vez, fica alguns degraus para baixo a bombordo, e as acomodações da tripulação são alcançadas atravessando a mesma, na mais europeia das tradições que exige que tripulação e chef fiquem quase imperceptíveis para os passageiros.

A potência vem de duas máquinas MAN V12 de 1800 hp cada, e a transmissão se dá com um V-Drive com trem de força convencional, alojado em túneis. Sua velocidade máxima é de 29 nós, com boa velocidade de cruzeiro de 24 nós. O calado é de apenas 1,90m, permitindo a navegação em águas razoavelmente rasas.

Gostamos bastante da MC 86 e acreditamos que ela atingirá seu objetivo de conquistar os mercados globais a que se destina, inclusive no Brasil.

*Texto: Chris Caswell
**Fotos: Massimo Ferrari

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