Lanchas

Testamos: Princess S65

por Chris Caswell
Postado em 10 de Janeiro de 2018

Modelo mescla características da linha de motoriates com flybridge e da série V-Class do estaleiro inglês

O melhor de dois mundos: toda a sofisticação e esportividade da Princess S65 (Foto: divulgação/Princess Yachts)O modelo, lançado depois da S72, difere de sua versão maior por ter sido desenhada desde o casco especificamente  para ser uma lancha de cruzeiro esportivo. Ela é uma híbrida que nasceu do cruzamento da linha da Princess de motoriates que possuem fly com a linha V-Class, que são barcos de cruzeiro expresso de cunho bastante dinâmico. A S65 mantém o conforto típico de um motoriate de cruzeiro em suas quatro cabines e três banheiros (mais acomodações para a tripulação) e no salão do convés principal, amplo e arejado. Um generoso cockpit de popa, equipado com sofá em “U” e uma mesa dobrável, é complementado com um magnífico lounge e um solário na proa.

E aí entra a dose de ousadia, que diferencia essa lancha das demais: ela possui um flybridge. Aliás, desculpem-nos: um sport bridge, como a Princess o batizou. Não é confessadamente muito grande, mas seu tamanho é suficiente para pilotar a embarcação com vento no rosto e ainda permitir aos convidados desfrutar de um jantar sob um céu estrelado. O sport bridge não está colocado na parte posterior do barco somente por razões estéticas; dessa forma, o estaleiro conseguiu acomodar um teto solar na parte anterior do salão, uma solução que oferece ao cliente o melhor dos dois mundos.

Quando a S65 está nas docas, ladeada por outras embarcações, perde-se alguns aspectos do seu estilo. Mas tirei a sorte grande ao vê-la pela primeira vez atracada sozinha no píer, e a impressão que mais salta aos olhos é que suas proporções são perfeitas. Baixa e elegante, o modelo emana muita atitude. Um surpreendente número de pessoas não se dá conta de que ela possui o sport bridge, e só o percebem quando afinal sobem a bordo. Vale dizer que o lounge da proa é igualmente bem disfarçado.

 

Com a S65, a Princss megulha de cabeça no mercado de iates de cruzeiros esportivos.

Ao contrário da S72, a S65 possui a cozinha no mesmo nível do salão, em sua parte posterior, o que possibilita total integração também com o cockpit de popa. Dessa forma, o convés principal assume também a função de central de festas. As portas que dividem salão e cockpit são de correr e somem completamente nas laterais, e a janela da cozinha é pivotante, com acionamento elétrico. Em poucos segundos, temos a integração total entre cockpit, cozinha e dois sofás com mesas, indo do cockpit de popa ao para-brisas. Abra o teto solar e a sensação é de que se está navegando numa lancha aberta de 65 pés.

A sensação de liberdade é nada menos que incrível, e captura a essência de como a maioria dos proprietários e seus convidados curtem uma embarcação. Com a janela da cozinha aberta, o balcão ao lado do cockpit serve de plataforma para servir petiscos e bebidas. Não há degrau separando as duas áreas, o que torna a movimentação entre os ambientes bastante confortável.

Se as condições meteorológicas não estão exatamente uma maravilha, as grandes janelas do salão ainda assim proporcionam uma bela vista do entorno, estando o tripulante sentado ou em pé, tanto no salão, quanto na cozinha. Os três painéis do teto solar contribuem bastante para a iluminação natural do ambiente. As embarcações da Princess são produzidas usando a infusão a vácuo, o que torna todas as suas estruturas bem resistentes, e possibilita o uso de grandes vidros, cuja transparência é minimamente cercada por molduras de apoio.

A vista do posto de comando é bastante desobstruída, e tanto o comandante quanto seu acompanhante desfrutam de confortabilíssimas poltronas, que parecem ter saído de dentro de um Aston Martin. Uma porta pantográfica a boreste possibilita que o comandante acesse o passadiço ou tenha uma melhor vista do píer durante a atracação.

A mesma filosofia do salão se estende ao convés inferior: muitas janelas e ambientes inundados por luz natural. A suíte máster, cujo comprimento é similar à sua largura, possui janelas dramáticas dos dois lados, que a tornam uma das mais iluminadas que já entrei em embarcações nessa faixa de tamanho. O proprietário dessa S65 escolheu o acabamento interno em nogueira de alto brilho, mas acabamento acetinado e em carvalho são outras opções disponíveis. Percebemos um crescimento no uso da nogueira em interiores, e nesse barco a madeira combina especialmente bem com os tecidos claros utilizados. Alguns detalhes no trabalho em madeira chamam bastante a atenção, tal como a marchetaria em ébano Makassar em volta da TV na suíte principal. O banheiro na parte posterior da cabine aproveita toda a boca da embarcação, o que não é muito comum em barcos nessa faixa de tamanho, e um generoso closet complementa o ambiente.

A suíte VIP com banheiro integrado e chuveiro separado também possui amplas janelas que, mesmo sendo proporcionalmente menores, favorecem ampla iluminação. Duas cabines ladeiam o corredor formado entre os camarotes máster e VIP, e partilham o banheiro, que também é o de uso diurno. A cabine de boreste tem acesso direto ao banheiro e dois beliches na configuração lado a lado (trilhos para transformálos em beliche de casal são opcionais), enquanto que na de bombordo encontramos dois beliches superpostos, com escada para acessar o superior. Uma máquina de lavar e secar se encontra embaixo da escada de acesso ao salão. A acomodação para a tripulação possui um beliche, banheiro e chuveiro, e fica entre a sala de máquinas e a popa.

Subindo até o sport bridge, encontramos espaço para todo mundo. Um sofá em “U” em torno de uma mesa ocupa toda a parte posterior, enquanto que um sofá em “L” se opõe às duas poltronas da estação de comando superior a boreste. Assim como no cockpit de popa, teca recobre o piso.

 

298 milhas náuticas é a autonomia máxima, navegando a 29 MPH.

A S65 é oferecida com três opções de motorização, iniciando com uma parelha de Caterpillar Cat C18 Diesel, de 1.150 hp cada (para uma velocidade de tope de 38 mph), passando por uma parelha de MAN V8 de 1.200 hp cada ou dois MAN V12 de 1.400 hp cada. O barco testado estava com os V12 topo de linha, que propulsionaram a lancha para lá de 40 mph, com um som maravilhoso que poderia ser engarrafado e vendido muito caro para aqueles com gasolina na veias. Fiquei arrepiado até o último fio de cabelo ao pilotar o barco.

O bom acesso à sala de máquinas é feito através de paineiros no piso do cockpit. A elétrica é exemplar e denota o cuidado do estaleiro com a qualidade. A fiação em cobre estanhado é codificada com cores e protegida por passa cabos em todas as passagens entre compartimentos. Impressionou-me também que cada fio é identificado com etiquetas nos dois lados. Se você alguma vez encontrou um fio solto no porão de seu barco, sabe exatamente do que estou falando…

A S65 testada estava equipada com os estabilizadores Seakeeper 9 (opcionais), que são compactos e fazem enorme diferença em mar agitado. Em todo o caso, a Princess prepara todos os seus cascos para facilitar o trabalho, caso o cliente decida por uma instalação posterior.

Esse iate combina características únicas, tais como o convés principal aberto e iluminado circundado por enormes janelas panorâmicas. Para se entender o efeito delas, só mesmo ficando em pé no meio do salão principal. O convés inferior está reservado para as confortáveis cabines, e o sport bridge é o cantinho secreto para se passar confortavelmente desapercebido. E a cereja do bolo é, sem dúvida, a sua performance, digna dos mais famosos carros esportivos.

Adicionando-se todas as partes, dá para dizer que a nova S65 já nasceu campeã.

Princess Yachts Brasil: (21) 9869-7730, (96) 3224-2060/vasco.trindade@princessbrasil.com

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