Testes

Dufour 500 Grand Large

por Administrador
Postado em 22 de Maio de 2015

Nova proposta de design interior faz com que o veleiro seja um colírio para os olhos

Há cerca de 50 anos, o lendário designer naval Michel Dufour estabeleceu seu estaleiro em La Rochele, França, e dois anos depois lançou o inovador Arpege 30, com um layout interior bastante diferente do que o mercado estava acostumado à época. Em vez de acomodar um beliche em “V” na proa, Dufour colocou ali um paiol de velas e um banheiro. No salão havia dois sofás e uma mesa e duas cabines de popa complementavam o veleiro, permitindo o pernoite de até seis pessoas. Dessa forma, o seu proprietário podia usar o barco para cruzeiro ou competição. Mais de 1500 barcos foram construídos e alguns poucos vieram para nossas águas.

No último meio século, a marca Dufour passou por muitas mudanças, a última delas ocorrida recentemente, quando deixou o grupo Bavaria e voltou a ser uma empresa independente administrada por investidores. O que não mudou foi o endereço em La Rochele e a vocação para a inovação. Em meados de 2014, a Dufour Yachts lançou mais um veleiro com propostas de layout progressivas, incluídas no casco do 500 Grand Large, criação conjunta do departamento de design e de Umberto Felci. Assim como outros barcos de Felci, o 500 tem linhas rápidas e agradáveis, com sua proa reta e popa levemente arqueada. Linhas pronunciadas (chines) que começam a meia-nau e vão até a popa sublinham sua esportividade, enquanto a linha do convés com sua curvatura esticada para a proa e cabine baixa em cunha acentuam sua elegância.

Como os outros barcos da linha Grand Large, esse também se posiciona no espectro mais esportivo, embora venha carregado de opções e amenidades destinadas a tornar a vida a bordo ainda mais agradável.

Em seu press release, a companhia descreve o veleiro como sendo desenvolvido para pessoas cujo objetivo principal seja o de realizar cruzeiros costeiros, mas que também façam uma ou outra passagem em mar aberto. E acertaram na mosca, a julgar pelo título de Melhor Barco de Cruzeiro Full Size, conquistado na avaliação da Cruising World dos melhores veleiros de 2014.

O acesso do barco se dá por uma plataforma cuja largura se aproxima à da boca na popa e que tem seu acionamento feito por acoitadores elétricos. Quando abaixada, a plataforma permite o acesso a dois compartimentos para guarda de balsa salva-vidas e na posição elevada protege o cockpit da entrada de água. Em posição centralizada e atrás das duas rodas de leme há um pedestal pensado para proporcionar o máximo conforto ao velejador e à sua tripulação, pois abriga opcionalmente um conjunto com churrasqueira, pia e refrigerador, possibilitando servir refeições ao ar livre sem que haja a necessidade de se descer para a cabine principal.

Enquanto o comandante pilota o barco com facilidade de sua posição de trás das rodas de leme, em que as escotas de mestra e buja estão bem à mão, a tripulação tem a oportunidade de se acomodar confortavelmente nos dois bancos centrais do cockpit, equipado com uma mesa de teca.

Através de um painel complementar, o banco de bombordo pode ser transformado em um solário para dois ou em um lugar seguro para o descanso de um tripulante, mesmo que o veleiro esteja adernado. Uma espécie de “berço para adultos”!

O que realmente se destaca no 500 Grand Large é o seu interior. O layout tradicional de duas cabines na popa e uma master na proa foi consideravelmente melhorado, com a cozinha sendo reposicionada. Ela agora ocupa toda a boca da embarcação, entre o salão e a cabine master. A boreste encontramos a pia e muitos armários, enquanto que a bombordo ficam o fogão e a geladeira, que pode ser acessada pela frente ou por cima. Há muita área nos balcões e também desse lado os armários instalados no alto oferecem mais espaço para armazenamento. A maior vantagem dessa inovação, porém, é que libera muito espaço de lazer no salão, enquanto quem está na cozinha tem toda a liberdade e segurança para criar refeições elaboradas.

O salão fica dividido entre o sofá em “U” com uma grande mesa a bombordo e um sofá e a estação de navegação - que pode ser inclinada, um detalhe importante para os aficionados por regatas - a boreste.

Os proprietários do 500 vão apreciar também as diversas opções de plano vélico, a começar por um gurupés retrátil na proa, feito sob medida para içar as velas “coloridas”. O barco testado em Annapolis estava equipado com uma mestra “full battened” e com uma genoa levemente sobreposta; uma buja autocambante pode ser encomendada, assim como uma buja de estai, muito adequada para quem está considerando usar o veleiro para grandes travessias. Em geral, o arranjo das velas foi muito bem avaliado e, se tivéssemos que fazer uma crítica, seria à altura do garlindéu, que requer subir em um degrau instalado especificamente para que se possa alcançá-lo.

O casco é laminado manualmente (fibra sólida até a linha d’água, sistema sanduíche de PVC acima dela) e o convés é fabricado com sistema de infusão de resina a vácuo, fazendo com que sua estrutura seja, ao mesmo tempo, leve e resistente.

Os elementos em madeira no seu interior têm execução e acabamento refinado, com painéis em moabi emoldurados por madeira sólida. Por todos os ângulos, o barco passa a impressão de produto “premium”.

Mesmo navegando com o seu motor auxiliar Volvo Penta de 75hp equipado com rabeta Saildrive, o barco se comportou muito bem e as manobras em vagas apertadas não são problema, graças aos hélices de proa e de popa.

No dia do teste pudemos observar o barco velejando com apenas o representante da fábrica, enquanto éramos transferidos do píer para o veleiro no barco de transportes do representante Dufour. Apesar do tamanho, fica bastante evidente que o 500 Grand Large foi desenvolvido para ser velejado por uma tripulação reduzida.

Ao subirmos a bordo, infelizmente, o vento decidiu nos pregar uma peça e sumiu. O mar à nossa volta se transformou num espelho e tivemos que nos limitar a manter as velas “cheias” em ventos de 3 a 5 nós. Não obstante, o barco respondia bem aos comandos do leme, velejando a velocidades próximas às do vento, de forma a a antecipar o que seria a sua performance em condições meteorológicas mais adequadas.

No mercado brasileiro, a versão básica sai por R$ 1.750.00,00, já inclusos impostos, transporte e tudo o que é necessário para fazer uma travessia oceânica.

*Texto por Mark Pillsbury.




tabela dufour

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