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Hanse 505

por Administrador
Postado em 28 de Julho de 2015

Um veleiro simples de manejar, ágil, estiloso e confortável

Quando vi o novo Hanse 505 pela primeira vez, no Boat Show Strictly Sail Miami, a primeira coisa que me chamou a atenção foram três colchonetes dispostos sobre o convés, entre a entrada da cabine e o pé do mastro.

Eu sei, eu sei! Normalmente a primeira coisa que deveria analisar em um novo veleiro é o tipo de armação - no caso, um mastro Seldén com duas cruzetas e uma mestra full batten cuidadosamente guardada em uma bolsa sobre a retranca. Talvez devesse ver que as catracas primárias e secundárias, muito bem localizadas e ao alcance da mão do timoneiro, fossem elétricas. Ou examinar o traveler (se o barco tivesse um; o Hanse possui um sistema de fixação de três pontos no topo da cabine e a escota principal regulável nas duas pontas, bem ao modo tedesco). E, finalmente, talvez devesse notar que na proa há um trilho para montar uma buja autocambante, uma bem-resolvida ferragem de âncora na proa, que integra o suporte para amarração das velas coloridas, ou a catraca usada para manejar a bela âncora em aço inox. Claro que vi tudo isso, porém, durante toda a minha inspeção, aqueles colchonetes ficaram chamando a minha atenção e me fizeram focar em todas as amenidades integradas no desenho desse “cinquentão” charmoso.

Subi a bordo pela espaçosa plataforma de popa, toda coberta com madeira teca e comecei a apreciar o cockpit que se descortina à frente das duas rodas de leme, cada uma equipada com instrumentos e plotter da B&G. Entre os dois bancos fica a mesa escamoteável através de duas abas e que pode receber, opcionalmente, uma conveniente geladeira.

O time de design da Hanse e os arquitetos navais Judel/Vrolijk optaram por um costado alto, em vez de elevar muito o topo da cabine para garantir o bom pé- direito da cabine. Com isso, o convés ficou muito plano, no qual se pode movimentar com absoluta facilidade e com excelente visão para a proa. Com o estaiamento fixado no costado e todos os cabos do mastro passando por baixo do convés, vai ser difícil encontrar algo em que possa tropeçar, ao caminhar para a proa.

A descida para a cabine é muito confortável, e bastante segurança é passada pela sua escada estreita e alongada. Talvez os designers pudessem ter estendido um pouco mais a abertura acima dela, para que pessoas mais altas, como é o meu caso, tivessem ainda mais facilidade para descer (e arredondar mais o canto); certamente não seria difícil, num barco com esse porte. Complementam a sensação de segurança dois postes ao final da escada, que ficam bem presos entre o piso e o teto da cabine.

Em alguns veleiros da classe de mais de 50 pés, ao chegar ao pé da escada a sensação é de “para onde vou agora?”, principalmente se o barco está singrando mares mais agitados. Mas não no 505. Imediatamente a boreste fica a estação de navegação e à sua frente um sofá em “L” com uma mesa. Centralizado no salão, um  gabinete que contém a TV de tela plana retrátil serve como encosto para o sofá oposto à mesa e separa essa área da cozinha.

A boreste um gabinete alto abriga as duas geladeiras e o freezer, todos de gaveta, solução engenhosa e que permite grande economia de energia. O balcão da cozinha se estende por todo o comprimento do salão, oferecendo excelente área de preparo de alimentos, completa com forno/fogão pivotante de três bocas e microondas.

Todo o espaço no salão é bem aproveitado, com grande quantidade de gabinetes  e gavetas para guardar materiais. Desenhado pelo escritório Watervision&Schnasse, até o espaço morto atrás das geladeiras foi aproveitado, através de um engenhosa gaveta lateral que abriga a cafeteira!

Tanto o acabamento de madeira quanto os estofados são de excelente qualidade e podem ser escolhidos de uma grande variedade de opções. No caso do veleiro testado, a madeira escolhida foi o mogno, com piso em Maple (bordo, ou carvalho silvestre). A iluminação e a ventilação do interior do Hanse 505, como era de se esperar de um barco equipado com 19 gaiutas e vigias, é excelente e abundante.

Além de escolher os materiais do acabamento, o proprietário de um Hanse 505 pode optar entre alguns lay-outs diferentes. Esse barco estava configurado com duas cabines de popa, ambas com camas de casal e um banheiro comum, a boreste da escada de entrada. A bombordo há um “quarto de despejo”, equipado com máquina de lavar e secar roupa. Opcionalmente essa cabine pode ser equipada com um beliche duplo ou ser transformada em outro banheiro.

A suíte Master na proa é bastante confortável, com uma cama de casal tamanho queen no centro, e o banheiro é dividido: chuveiro a boreste e toalete a bombordo.

Mesmo com a boca máxima de 4,80 metros, nunca se fica com a sensação de não ter onde se segurar. Ou seja, mesmo com todas as amenidades a bordo, esse barco foi feito para se velejar.

A quilha de ferro fundido pode ser configurada em três versões: com aletas para performance (std), profunda e em “L” ou específica para baixo calado.

A construção do barco é muito sólida. O casco de fibra de vidro, abaixo da linha d’água, é sólido, enquanto que no costado e no convés tem alma em balsa. Para prevenir a degradação por osmose, a primeira camada de resina aplicada no casco é ester-vinílica. Tanto no casco como no convés, foram integrados à fibra insertos de alumínio em todas as posições em que ocorre a fixação de ferragens. Dessa forma, previnem-se a entrada de água e a degradação do núcleo de balsa. As anteparas são coladas e laminadas no casco e convés. O 505 vem com garantia estrutural de cinco anos.

Em minha saída em Biscayne Bay após a feira, o 505 rapidamente provou a que veio. Não é só mais um veleiro de design bonito; ele também veleja muito.

Orçando em ventos de 10 a 12 nós, o velocímetro mostrou sempre velocidades acima de 6 nós. O sistema de direção da Jeffa é macio como manteiga. A cada nova rajada, eu arribava um pouco e o barco respondia firme, como se estivesse andando sobre trilhos.

Ao escolher um rumo de orça mais folgada, o barco ganhou mais um nó de velocidade. E é desnecessário dizer como é fácil dar bordos com a buja autocambante.

Após passar por todos os ângulos de vento possíveis e imaginários, concluo que o Hanse 505 é um barco muito bem adequado para quem veleja solo ou com pouca tripulação. Todas as estas são facilmente acessadas de qualquer uma das rodas de leme. Se fosse meu barco, provavelmente não encomendaria com a capota sobre o cockpit, pois me atrapalharia a visão da mestra quando sentado à roda de leme. Suponho que, para aqueles que preferem a sombra, as informações da instrumentação devam ser suficientes.

O time de design da Hanse conseguiu passar a sensação de barco grande para um veleiro que é realmente simples de manejar, ágil para velejar, estiloso e confortável para os tripulantes. Para mim, uma combinação perfeita.

*Texto por Mark Pillsbury.




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