Vela

Testamos: Jeanneau 64

por Jen Brett/Fotos: divulgação/Jeanneau
Postado em 02 de Maio de 2018

Maior modelo da linha Yacht, o luxuoso Jeanneau 64 veleja muito bem — e nos brinda com boas surpresas

(Foto: divulgação/Jeanneau)O Jeanneau 64 eleva a barra, em termos de veleiros de luxo. O novo topo de linha do estaleiro francês veleja muito bem — e nos brinda com muitas surpresas agradáveis.

Se tem algo que aprendi com Gary Jobson, tático da America’s Cup e comentarista de vela, é que velejar é sempre uma competição, mesmo fora das regatas. “Deixa a coisa ainda mais divertida”, diz.

Definitivamente, diversão era o que estávamos tendo quando velejamos o novo Jeanneau 64, em um dia de brisas forte nas Ilhas Virgens Britânicas. Estava lá para cobrir o encontro anual de proprietários Jeanneau de 2016. Jobson participou como palestrante convidado em um dos concorridos eventos ao cair da noite e, sem dúvida nenhuma, o Jeanneau 64 foi a estrela desta edição. 

O longo percurso de contravento nos levou da Ilha Norman para a baía setentrional da Virgem Gorda, uma distância adequada para poder avaliar todas as características do maior veleiro da linha do estaleiro. O vento oscilava entre 18 e 22 nós, com rajadas chegando a 30 nós. Em alguns barcos que velejei, essas condições certamente teriam gerado desconforto a bordo, mas o 64 adora uma brisa forte e negociou maestralmente com as rajadas mais fortes, de forma muito marinheira. O bom leme se mostrou suave e previsível, enquanto o velocímetro lambia frequentemente a marca de 10 nós. Um bom dia a bordo, apesar da chuva. 

O Jeanneau 64 é um veleiro da renomada linha Yacht, que inclui ainda um 57 pés, um recém-lançado 54 e um 51. De acordo com Eric Stromberg, diretor de marketing da empresa, os veleiros da linha Yacht têm casais como público alvo, e podem ser manejados com ou sem tripulação a bordo. “Os casais velejadores tendem a convidar outro casal de amigos ou familiares, de forma que pusemos bastante foco no conforto dos convidados e nos espaços de confraternização”, conta Eric. 

Mas há muito mais a bordo do que os altos níveis de conforto. Alguns talvez pensem que é mais um Jeanneau, e terão toda a razão ao afirmá-lo. Mas não é só. Pense nesse veleiro como um minimegaiate, pois são as características oriundas desse tipo de embarcação que fazem com que o  modelo se destaque. A primeira coisa que se nota quando se vem a bordo é a grande dimensão do elegante cockpit, que ocupa mais de 40% da área do convés. Ele é claramente dividido em setores de trabalho e diversão. Uma moderna targa mantém as escotas da grande fora do caminho, e a sua regulagem é uma questão que o timoneiro resolve simplesmente apertando botões. Uma catraca elétrica Harken, elegantemente instalada sob o piso do salão, executa essa função — um equipamento que se encontra somente em barcos muito maiores que o 64. A Jeanneau também oferece, opcionalmente, uma catraca exclusiva para a adriça da grande.

Na área de lazer, o cockpit apresenta dois grandes sofás com mesas que podem ser baixadas e que transformam tudo em um grande solário. Uma boa capota protege a entrada da cabine das intempéries, e outra pode ser estendida sobre todo o cockpit até os limites da targa. 

No barco que testamos havia a opção de capotas sobre as rodas de leme, uma adição muitíssimo bem-vinda, especialmente nas condições de chuva do dia do teste. 

A área de trabalho do cockpit não contém apenas as rodas de lemes, catracas elétricas e os controles das velas. Possui também uma cozinha externa com pia, geladeira, icemaker, espaço para armazenagem e um grill elétrico embutido no piso da garagem que se eleva elegantemente quando seu uso é requerido pelo chef de plantão. 

A garagem na popa é desenhada sob medida para acomodar um inflável Williams Turbojet 285 (opcional), que mede 2,85 m e possui boca máxima de 1,80 m. 

Um passeio pela proa do Jeanneau 64 revela outra característica encontrada somente em veleiros muito maiores: trilhos com carrinhos para tensionar as adriças das velas de proa evitam que elas tenham que ser desviadas e ocupem espaço no cockpit. O deque todo recoberto em teca é amplo e os baluartes em fibra de vidro, bem como os guarda-mancebos com 76 cm de altura, proporcionam uma agradável sensação de segurança.

O Jeanneau 64 foi projetado por Philippe Briand e seu interior desenhado por Andrew Winch, ambos com credenciais conquistadas desenhando também megaiates. “Andrew conseguiu imprimir um visual inovador, com características encontradas apenas no interior de megaiates. Mesmo assim, quando as pessoas entram no barco, imediatamente reconhecem um autêntico Jeanneau”, conta Eric Stromberg. “Realmente, é um feito digno de nota: desenhar um interior renovador que, ao mesmo tempo, transmita a segurança de que tudo está como deve ser.” 

Mesmo sendo um estaleiro voltado para a produção seriada, a Jeanneau possibilita a escolha de inúmeras opções de customização para o 64, tanto no layout quanto na escolha dos materiais, e o faz comparativamente mais em conta do que os concorrentes da categoria. Em todo o interior há toques em couro legítimo, ferragens de alto nível e iluminação que se integram com rara classe e beleza ao visual contemporâneo. 

A versão apresentada possuía a generosa cabine máster na popa, mas existe a possibilidade de instalá-la na proa. Nos dois casos, há mais duas cabines com banheiro privativo e chuveiro separado a bordo. Alternativamente, é possível encomendar uma cabine adicional à boreste na popa, com beliches sobrepostos, ou então esse espaço pode ser ocupado por uma estação de navegação e um amplo armário. Bem na proa está um paiol para a guarda de velas e que pode ser transformado para abrigar uma cabine para tripulação. 

A cozinha fica a bombordo, logo ao pé da escada de entrada, e foi concebida como um local muito eficiente para o preparo de refeições, tanto ancorado, quanto velejando. As pias possuem bordas altas, o espaço é suficiente para duas pessoas e há inúmeras possibilidades para se segurar se, por acaso, o mar virar a caminho. Ao desenhar a cozinha, a Jeanneau consultou um chef de iates profissional, o que resultou em bem pensados espaços para guardar equipamentos e alimentos, bem como em uma geladeira/adega que permite fácil acesso às bebidas por toda a tripulação. Possui também equipamentos de alta qualidade que incluem forno/fogão, microondas, geladeira vertical e dois freezers de gaveta. 

Outro toque que agradou bastante é a ampla casa de máquinas: todos os equipamentos que produzem barulho e/ou vibração estão instalados nesse compartimento, que tem um excelente tratamento anti-ruído. Dessa forma, a operação do veleiro é extremamente silenciosa. 

Com uma etiqueta de preços acima do milhão de dólares (no exterior), dependendo da configuração escolhida, não é um veleiro para iniciantes. De acordo com Eric Stromberg, ele é ideal para quem quer sair de um veleiro menor, mas também aprecia a privacidade de poder operar o barco sem uma tripulação fixa. 

Independentemente se é o estilo moderno do design de Briand, se são os ítens exclusivos de megaiate ou o preço de um barco de produção seriada — provavelmente até uma combinação dos três fatores —, o fato é que está dando certo: até o fechamento dessa edição, foram vendidos mais de 40 Jeanneau 64 em todo o mundo. 

Quando recolhemos o pano ao final do dia no Bitter End Yacht Club, os céus finalmente clarearam. E quanto à regata? Ganhamos, óbvio! Mesmo que, segundo um radiante Gary Jobson, o outro cara estavivesse com motor ligado durante todo o tempo… 


(Foto: arquivo/Mariner Brasil)

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